quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Pudera eu me juntar à imensidão do mar, e ser como cada gota cristalina, leve e pura. Tal pureza que irradia o amanhecer de pescador, que se deixa levar pela leveza das ondas. Pudera eu ser salgada como sua água abundante, e assim espantar os males que me cercam. Pudera eu ter a sua profundidade e afogar as mágoas que me atormentam. Pudera eu ser o azul do mar, e ter sua calmaria em dias de sol escasso. Pudera eu trazer felicidade para criança pequena que brinca á beira de tal imensidão azul. Pudera eu ser o mar, e amar.

domingo, 21 de agosto de 2011

Tinha suspirado
Tinha beijado o papel devotamente
Era a primeira vez que lhe escreviam aquelas
sentimentalidades

E o seu orgulho dilatava-se ao calor amoroso que saia delas
Como um corpo ressequido
que se estira num banho tépido

Sentia um acréscimo de estima por si mesma!
E parecia-lhe que entrava enfim numa existência
superiormente interessante...

Onde cada hora tinha seu intuito diferente
Cada passo conduzia um êxtase...
E a alma se cobria de um luxo radioso de sensações.

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

E o meu pó não foi mágico,
foi toda a poeira
que meus olhos
aguentaram receber.
A minha cartola não funcionou,
foi um véu escuro
para esconder o que de mim
o amor não tinha levado.
Quem disse que a força
vem do sofrimento errou.
Ou talvez eu goste de ser
apenas uma gota na
tempestade dos copos d'agua.