quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Só tenho em mente que às vezes o jeito como a gente pensa em alguém não é exatamente o jeito como essa pessoa é. As pessoas são diferentes quando você sente o cheiro delas e as vê de perto.

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

"Estou exposto... Cortado pelo granizo amargo e venenoso." Achei aquilo perfeito: você ouvia as pessoas para enxergá-las, e ouvia todas as coisas horríveis e todas as coisas maravilhosas que elas faziam consigo e com os outros, mas, no final das contas, ouvir faz com que se exponha muito mais do que as pessoas a quem se estava tentando escutar.

domingo, 30 de junho de 2013

Ele põe a mão no pescoço e me puxa para ele, e nos beijamos.
Os lábios dele são macios e deixam os meus tremendo. Fecho os olhos no escuro por trás deles, e vejo coisas lindas florescendo, flores girando como flocos de neve, e beija-flores batendo as asas no ritmo do meu coração. Parti, perdida, flutuando no nada como se estivesse no meu sonho, mas desta vez a sensação é boa, como se eu estivesse voando, totalmente livre. Com a outra mão ele afasta o cabelo do meu rosto e posso sentir o toque de seus dedos em todos os lugares que me tocam e penso em estrelas no céu deixando rastros flamejantes, e naquele instante, independente da duração que tenha, enquanto ele está dizendo meu nome na minha boca e estou respirando nele, percebo que esta, bem aqui, é a primeira vez que fui beijada de verdade na vida. 

domingo, 23 de junho de 2013

Com a mão logo a cima do meu joelho, espalmada e macia no meu jeans, o dedo indicador descrevendo círculos lentos e preguiçosos que se dirigiam para a parte interna da minha coxa e apenas uma camada entre nós, meu Deus, como eu o desejei. Deitada ali, entre as folhas de grama altas e plácidas, debaixo de um céu bêbado de estrelas, ouvindo o ruido dos carros distantes que atravessavam eternamente a I-65, pensei pela primeira vez em como seria maravilhoso dizer as três palavrinhas. Eu tomava coragem para dizê-las enquanto fitava a noite estrelada, tentando me convencer de que ele sentia o mesmo, que sua mão, tão viva e real em minha coxa, era mais do que um simples joguinho. Dane-se. É verdade, eu te amo, e o que mais importa? Meus lábios se abriram para falar e, antes mesmo que eu pudesse exalar as palavras, ele disse: ''Não é nem a vida nem a morte, o labirinto.''

sábado, 22 de junho de 2013

Ele continuou falando, suave e pensativo,  como se estivesse me contando um segredo, e eu me inclinei para ele, subitamente dominada pela sensação  de que precisávamos, de que deviríamos nos beijar naquele instante, ali mesmo no sofá marrom com marcas de caneta e décadas de poeira acumulada. E eu o teria beijado. Teria continuado a me debruçar na direção dele até que fosse necessário inclinar o rosto para me desviar de seu nariz arrebitado, e teria sentido o choque de seus lábis macios. Teria feito isso. Mas então ele despertou.