sábado, 22 de junho de 2013
Ele continuou falando, suave e pensativo, como se estivesse me contando um segredo, e eu me inclinei para ele, subitamente dominada pela sensação de que precisávamos, de que deviríamos nos beijar naquele instante, ali mesmo no sofá marrom com marcas de caneta e décadas de poeira acumulada. E eu o teria beijado. Teria continuado a me debruçar na direção dele até que fosse necessário inclinar o rosto para me desviar de seu nariz arrebitado, e teria sentido o choque de seus lábis macios. Teria feito isso. Mas então ele despertou.
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